Aposta Legal

Manifesto contra a MP das Bets

Proibir não protege.
Fiscalizar protege.

A menos de duas semanas da eleição, o presidente Lula quer acabar com as apostas por medida provisória, sem debate no Congresso. A aposta não vai sumir. Vai para a clandestinidade, sem imposto, sem fiscalização e sem nenhuma proteção ao apostador.

R$ 8,8 bi arrecadados pelo Estado no 1º ano do mercado regulado (2025)
25 mil+ sites ilegais bloqueados em 2025 pela SPA e Anatel
79 empresas autorizadas e fiscalizadas pelo Ministério da Fazenda
15,5 mil empregos diretos e indiretos no setor regulado4

O que está em jogo

Uma MP eleitoreira, feita às pressas

Em 23 de setembro de 2026, após reunião com ministros no Palácio da Alvorada, Lula decidiu avançar com uma medida provisória para proibir as bets no Brasil, incluindo, segundo a imprensa, as apostas esportivas.1 Em ato de campanha no Rio, disse no palanque: nós vamos acabar com as bets.1

O timing não é coincidência. A imprensa registra que a medida faz parte de uma ofensiva do governo para recuperar popularidade às vésperas da eleição.2 Um tema complexo, que o país levou anos para regulamentar, está sendo tratado como peça de marketing eleitoral.

Até o próprio governo discorda

O Ministério da Fazenda, da equipe do próprio Lula, resistiu à proibição: o governo perderia cerca de R$ 12 bilhões em arrecadação.2

Uma MP tem força de lei imediata. O Congresso só vota depois, em até 120 dias. Ou seja: o mercado regulado pode ser desligado da noite para o dia.

Situação em 24/09/2026: o texto da MP ainda não foi publicado no Diário Oficial. Há relatos de versões diferentes, da proibição total a restrições focadas em cassinos online e publicidade. Atualizaremos esta página assim que o texto oficial sair.

O paradoxo da proibição

A aposta não acaba. Só muda de dono.

Antes da regulação, os brasileiros já apostavam, em sites sediados em paraísos fiscais, sem pagar um centavo de imposto no Brasil. Proibir de novo é voltar a esse passado.

Estimativa: até metade do mercado é ilegal5

O mercado ilegal movimenta entre R$ 26 bi e R$ 40 bi por ano, segundo estudo do Instituto Esfera (coord. USP). Com a proibição, ele fica com 100%.

Com regulação

  • Empresa com CNPJ, sede no Brasil e responsável legal
  • Impostos para saúde, educação, esporte e segurança pública
  • Bloqueio de CPF de beneficiários do Bolsa Família e BPC
  • Proibição de menores de idade e verificação de identidade
  • Autoexclusão e limites para o apostador
  • Multas de até R$ 2 bilhões por infração3
  • Rastreamento contra lavagem de dinheiro

Com a proibição

  • Sites em paraísos fiscais, fora do alcance da lei
  • Zero imposto no Brasil
  • Nenhum controle sobre quem aposta, nem crianças
  • Nenhum limite, nenhuma autoexclusão
  • Apostador lesado não tem a quem recorrer
  • Porta aberta para lavagem de dinheiro e crime organizado
  • Fim de empregos formais no Brasil
Quando o Estado sai do jogo, quem entra é o crime.

Nossa proposta

Regular melhor, não proibir

Não defendemos o vale-tudo. Defendemos um modelo sério, rígido e fiscalizado, que o Brasil já começou a construir.

01

Apostas esportivas: sim, regulamentadas

Manter as apostas esportivas legais, com licença, sede no Brasil, impostos e fiscalização permanente da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).

02

Cassinos online: restrição forte

Jogos de cassino online, como caça-níqueis do tipo “Tigrinho”, têm dinâmica mais viciante. Devem ter restrição severa. É o que faz a Austrália, que permite apostas esportivas e proíbe o cassino online.

03

Publicidade mínima, com transição

  • Fim gradual do patrocínio massivo em até 3 anos, com um fundo de transição para o futebol
  • Proibição imediata de influenciadores e de bônus de cadastro
  • Avisos obrigatórios de risco em toda peça publicitária
  • Nenhuma publicidade voltada a jovens ou em horário infantil

Na linha da Espanha e da Itália, e da Premier League inglesa, que tirou as bets da frente das camisas com anos de transição.

04

Guerra às casas clandestinas, com IA

  • Monitoramento por inteligência artificial de redes sociais, grupos de Telegram e WhatsApp, buscando perfis com grande alcance (a partir de 5 mil seguidores) que divulgam links de casas ilegais
  • Seguir o dinheiro: rastrear e bloquear chaves Pix, meios de pagamento e domínios espelho das casas clandestinas
  • Responsabilizar influenciadores e plataformas que lucram com a divulgação de sites ilegais
  • Operado pelo Estado (SPA, Anatel e Polícia Federal), com revisão humana, devido processo e respeito à LGPD
05

Brasil como referência mundial

Permitir que as casas autorizadas aqui atendam apostadores no exterior, onde a lei local permitir. Isso gera divisas, empregos e arrecadação sob as regras brasileiras. Em vez de exportar apostadores para sites estrangeiros, o Brasil exporta um modelo.

06

Jogo responsável de verdade

O vício e o endividamento são reais e precisam de resposta. Parte da arrecadação deve financiar tratamento, cadastro nacional de autoexclusão e educação financeira. Só um mercado regulado permite isso. No clandestino, ninguém protege ninguém.

Economia real

Empregos, impostos e serviços públicos

O mercado regulado, em vigor desde janeiro de 2025, gerou cerca de 10 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos, com projeção de crescimento de 20% em 2026.4 São desenvolvedores, analistas de risco, atendimento, compliance, marketing e jornalismo esportivo.

A arrecadação é dividida por lei entre áreas como saúde, educação, esporte e segurança pública. Desde 2026, parte vai ao Funapol, fundo que financia a Polícia Federal.6 A MP corta esse dinheiro e o entrega de presente a operadores ilegais.

O futebol no limite

Federações de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia e clubes das Séries A e B lançaram o manifesto O fim do futebol brasileiro. Eles alertam para o risco de insolvência e a perda de até R$ 1 bilhão em patrocínios.7

A transição tem que ser planejada, não imposta por decreto na véspera da eleição.

O espelho dos países desenvolvidos

Nenhuma democracia desenvolvida resolveu isso proibindo

Os países que tratam bem o tema regulam, fiscalizam e restringem a publicidade.

Reino Unido

Regulador forte (Gambling Commission), limites de aposta em jogos online e verificação de capacidade financeira. A Premier League acordou tirar as bets da frente das camisas, com transição de três temporadas.

Espanha

Regulador nacional (DGOJ). Desde 2020, publicidade restrita a horário noturno e fim do patrocínio de camisas, com prazo de adaptação para os clubes.

Itália

Mercado licenciado pela ADM e proibição ampla de publicidade desde 2018. Mostra que é possível manter a aposta legal com propaganda mínima.

Dinamarca e Suécia

Abriram o mercado com licenças e criaram cadastros nacionais de autoexclusão (ROFUS e Spelpaus): o apostador se bloqueia em todas as casas de uma vez.

Austrália

Aposta esportiva online permitida, cassino online proibido. Tem registro nacional de autoexclusão (BetStop) e proíbe apostar com cartão de crédito.

Estados Unidos

Desde 2018 os estados podem legalizar a aposta esportiva. A maioria já legalizou, justamente para tirar o mercado das mãos de operadores ilegais.

Mitos e fatos

Perguntas frequentes

Proibir não vai acabar com o vício?

Não. O apostador continua a um clique de sites estrangeiros e clandestinos, agora sem limite, sem autoexclusão e sem ninguém fiscalizando. A proibição tira do Estado as ferramentas de proteção.

Então vocês defendem as bets como estão?

Não. Defendemos regras mais duras: publicidade mínima, fim dos influenciadores, restrição forte ao cassino online e combate pesado às casas clandestinas. Regular melhor, não proibir.

Dá para bloquear todos os sites ilegais?

Bloquear só o site não basta: ele reaparece em outro endereço. Por isso propomos atacar os pagamentos (Pix e meios de pagamento), os divulgadores e as plataformas que lucram com os anúncios. Isso só é possível com um mercado legal funcionando como referência.

E o dinheiro das famílias pobres gasto em apostas?

A regulação já permitiu bloquear o cadastro de beneficiários do Bolsa Família e do BPC nos sites legais. No mercado clandestino, esse bloqueio é impossível.

O que é uma Medida Provisória?

É um ato do presidente com força de lei imediata. O Congresso tem até 120 dias para aprovar ou derrubar. Por isso a pressão sobre deputados e senadores é decisiva.

Participe

Assine o manifesto

Diga ao Congresso: regula, não proíbe. Pedimos que deputados e senadores derrubem a MP e aprovem regras mais duras de publicidade e fiscalização.

Depois de assinar, pressione seus representantes: deputados e senadores.

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Cada compartilhamento ajuda a levar o debate para além do marketing eleitoral.